Com apoio de gente da cúpula da Seduc, o comissionado pediu demissão e vendeu o software para a empresa que negociou com a secretaria
Uma servidora que está dentro da Seduc desde o governo Cassol intermediou tudo. A negociata rendeu milhões de reais ao grupo que opera na secretaria há mais de 20 anos
A plataforma Sage, vendida por R$ 12,6 milhões para a Secretaria de Estado da Educação de Rondônia, junto com a plataforma Speck, foi desenvolvido dentro da própria Seduc, por um funcionário comissionado. Em comum acordo com servidores da cúpula da secretaria, ele pediu exoneração em 2024 e vendeu o trabalho para uma empresa, por R$ 1 milhão.
Depois disso a Seduc comprou o sistema da empresa, e funcionários graduados da secretaria embolsaram milhões de reais.
O caso veio à tona nesta semana, quando o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Paulo Curi Neto, decidiu investigar oito irregularidades apontadas pela Controladoria Geral do Estado (CGE) no contrato firmado entre a Seduc e a Sistematech Desenvolvimento de Software Ltda.
A plataforma Sage custou cerca de R$ 6,1 milhões para a Seduc. A CGE citou não haver provas suficientes de que a ferramenta tenha chegado à Seduc. Os próprios responsáveis por fiscalizar o contrato disseram que a secretaria não tinha a plataforma, mesmo com o pagamento feito em dezembro de 2024.
O licenciamento da plataforma Speck, onde se faz a avaliação socioemocional dos estudantes, custou R$ 6,4 milhões e foi paga antes de ser comprovada a execução dos serviços. Foi constatado que foram realizadas 16.583 entrevistas, das 25.393 previstas. Não foi entregue a quantia contratada.

O blog Entrelinhas apurou que um grupo instalado na Seduc ganhou milhões de reais com as negociatas.
O grupo contratou um servidor comissionado para desenvolver o sistema para a Seduc. Ele ganhava para isso. Pronto o sistema, o servidor pediu exoneração, vendeu para a empresa, por R$ 1 milhão e passou a trabalhar para a empresa. O grupo, então, conseguiu comprar o sistema da empresa.
A equipe do blog Entrelinhas já repassou para a equipe do governador eleito, Marcos Rogério (PL), o nome dos envolvidos e detalhes de como foi feito todo o esquema. A principal encarregada da armação trabalha na Seduc desde o governo Cassol. Há 20 anos ela descobriu uma forma de ganhar dinheiro, comprando materiais escolares no atacado e vendendo no varejo para as escolas. Ela guarda talões de cheques das escolas. Os diretores vão até ela para assinar e recolher os materiais. A servidora, com o tempo, ampliou os esquemas.






