No caso do senador fazendeiro, o castigo não veio a cavalo. Veio de salto alto e Wi-Fi
Imagina a cena: Bagatolli no churrasco do agro em Vilhena, de chapéu, tentando explicar que é contra o MST, e no celular do vizinho, a filha dele sorrindo com a legenda “Lula 2026”
Dizem que o castigo do político vem a cavalo, mas no caso do senador Jaime Bagatolli (PL-RO) veio de salto alto e com filtro do Instagram.
O homem foi presidente do PL em Rondônia e 3º vice-líder da bancada no Senado com o aval do próprio Jair Bolsonaro. Bagattoli foi capitão da tropa verde-amarela. Fazendeiro rico, empresário rico, rico duas vezes para não deixar dúvida. Em Rondônia, onde o agro ruge quando ouve a palavra “PT” a três quilômetros de distância, Bagatolli era o xodó: o senador que dizia o que as lideranças do agro querem ouvir.
Aí a filha resolveu fazer o L nas redes sociais. Declarou apoio ao Lula.


Pronto. Estão dizendo que senador que enfrentava a esquerda no plenário agora não consegue nem enfrentar o grupo da família no WhatsApp.
Imagina a cena: Bagatolli no churrasco do agro em Vilhena, de chapéu, tentando explicar que é contra o MST, contra taxa, contra tudo que tem cheiro de vermelho… e no celular do vizinho, a filha dele sorrindo com a legenda “Lula 2026”. O picanheiro vira piada do churrasco.
E ela aderiu à nova mania dos petistas, de trocar a cor vermelha do partido pelo verde e amarelo. Com isso, petistas passaram a serem chamados de melancias. Verde e amarelo por fora e vermelho por dentro.
No PL, o clima azedou. Como é que o líder bolsonarista vai subir no palanque gritando “comunismo vai tomar sua fazenda” se na própria fazenda tem uma eleitora do Lula que conhece a senha do cofre?

É a tragédia clássica rondoniense: o pai planta soja para o agro, a filha colhe likes na esquerda. Ele fala de Bolsonaro, ela fala de Lula. Ele conta boi, ela conta voto.
Moral da história: em Rondônia, o agro pode ter raiva do PT devido aos prejuízos causados pelos vermelhos, pode ter raiva do Lula, mas a maior dor de cabeça do senador não veio do STF, não veio da oposição. Veio do quarto ao lado, com Wi-Fi bom e opinião divergente.




