A verdade por trás da queda do secretário Massud Jorge Badra Neto, da Seduc
Já parou para pensar no motivo da nomeação às pressas do secretário interino Alisson Souza?
Ainda no primeiro ato de Hamlet, o soldado Marcelo profere a célebre frase: “Há algo de podre no Reino da Dinamarca”. Na obra literária o aviso apontava para a corrupção moral e política que contaminava todo o reino.
A expressão idiomática consagrou-se em nossos tempos como a indicação de que há algo muito errado, suspeito ou corrupto em uma instituição, governo, empresa ou situação. Simboliza a intuição de que um problema oculto ou desvio de conduta está prestes a vir à tona.
Desde sempre existiram rumores sobre o pior governo da história de Rondônia, mas por quase sete anos o rei contou com um bispo que sabia se movimentar habilmente pelo tabuleiro, blindando o político que enfeita o trono do estado.
No entanto, a queda do bispo expôs as entranhas do governo. Foi trazido um cavalo para substitui-lo, mas a ligeireza de movimentos da nova peça, somada à paranoia e à hipervigilância da figura de proa que ocupa o Palácio Rio Madeira, logo resultaram na origem de uma nova rainha e uma torre que passaram a se deslocar como queriam pelo tabuleiro. Os peões, ao perceberem a gestão policéfala, também passaram a buscar o seu quinhão. Afinal, todo mundo manda quando ninguém manda.
A partir de então, processos milionários, em especial os relacionados à tecnologia, passaram a tramitar à velocidade da luz em diversas secretarias: Sefin, Sedam, Sesau e Seduc, principalmente. Fornecedores passaram a ser convidados para conversas palacianas pouco ortodoxas. Amigos dos amigos passaram a ser convidados a apontar para seus interesses, de modo que os detentores dos contratos que não aceitaram se subjugar fossem celeremente apeados para que outros tomassem seus postos.

Mas uma secretaria em especial tornou-se alvo do desejo de muitos: a Seduc. Juntamente com a Sesau, é onde tem mais dinheiro.
Lá, processos vultuosos começaram a passar por baixo da ponte como se não houvesse amanhã, pois na verdade não há. Amanhã Marcos Rogerio (PL) assume, por isso o dinheiro tem que ser gasto hoje, o contrato precisa ser assinado hoje.
O secretário Badra, com um histórico relacionado aos órgãos de controle, tentou de todas as formas conter a sangria, mas não foi capaz e precisou ser removido para deixar de atrapalhar a festa. Uma peça importante do tabuleiro foi tomada, pois estava atrapalhando diversas jogadas.
Alguns processos em especial se sobressaem, como as adesões às atas para as obras de reforma das escolas, que foram suspensas pela TCE. Como uma nova peça no tabuleiro, na Seduc o que estava parado começará a andar. Pelos menos, vão tentar.
Merece destaque o processo número 0029.003939/2025-74, no valor de R$ 33,9 milhões, suspenso preventivamente pelo TCE e contra o qual tramita também uma ação popular.
Ainda, a suspenção determinada pelo TCE das aquisições do processo 0029.058903/2025-28, no valor aproximado de R$ 50 milhões, para aquisição de uma solução educacional integrada, composta por material didático impresso e plataforma digital, também merece atenção.
Mas nada salta tanto aos olhos quanto o processo 0029.061658/2023-74. Ele demostra a fidelidade canina de um peão ao seu rei, ou seria de um cabo ao seu coronel?
Explico. Tal processo corre na Seduc, cumprindo determinação específica do TCE de corrigir vício pontual existente no processo anterior, e ser levado a nova licitação.
O processo caminhava normalmente até que servidor ora nomeado secretário interino, Alisson Antônio Maia de Souza, que é cabo PM, ainda com sua senha da Sesdec no SEI e num final de semana, começou a alterar o processo de forma autônoma, unilateral e sem qualquer alinhamento com o secretário, ou mesmo com seus pares na Seduc.
A nova solução trazida pelo exemplar servidor que se dedica ao serviço público também aos finais de semana, altera completamente o modelo anterior, contrariando as determinações do TCE, que objetivavam exatamente coibir eventual direcionamento do pleito. Ao contrário, as alterações plantadas pelo agora interino, direcionam o processo para uma empresa de Manaus ligada à empresa Millenium, alvo de operação Reduto da Polícia Federal.
A situação fica ainda mais latente quando se verifica que o governador Marcos Rocha esteve em Manaus em junho (https://www.instagram.com/reels/DZxfTckRl7o/), conhecendo as soluções da empresa. Ato contínuo à visita do governador, foi liberada uma suplementação orçamentária destinada à aquisição das soluções apresentadas pela empresa (https://www.onortao.com.br/2026/06/assembleia-aprova-credito-suplementar.html).
Por fim, salta aos olhos a enorme coincidência de o secretário Massud Jorge Badra ter sido exonerado exatamente um dia depois de solicitar a ida do processo 0029.061658/2023-74 para seu gabinete, objetivando a apuração necessária das várias denúncias que vinham chegando aos seus ouvidos, quanto às ingerências cometidas pelo seu agora substituto interino.
Cabe, portanto, ao TCE-RO, ao MP-RO e principalmente à equipe de transição buscar entender o que fato ora se passa no Reino da Dinamarca.



