A Prefeitura alega que faltou tempo, mas o que faltou mesmo foi organização
Sem gestão, obras não foram concluídas e o dinheiro terá que ser devolvido
A Prefeitura de Pimenta Bueno afirmou em nota que a não conclusão das obras e a devolução de recursos foram apenas questões de prazo curto. Porém, os relatórios técnicos do DER (quem fiscaliza a obra) provam o contrário: houve falha na execução e serviços essenciais não foram feitos.
Entenda o caso ponto a ponto, com base nos documentos oficiais:
- O Problema no Convênio 168/2021 (Falta de Qualidade)
Neste contrato, o problema não foi só dinheiro sobrando, foi obra mal feita.
- O que aconteceu: A Prefeitura deixou de executar cerca de R$ 637 mil.
- O impacto real: Esse dinheiro deveria ter sido usado para fazer meio-fio, sarjetas e drenagem. Segundo a vistoria, esses itens foram feitos apenas parcialmente ou nem começaram.
- Por que é grave: Fazer asfalto sem meio-fio e drenagem é desperdício. A água da chuva não tem para onde ir, infiltra na rua e destrói o pavimento rapidamente. A obra foi entregue sem a proteção necessária.
- O Problema no Convênio 227/2021 (Obra Inacabada)
A Prefeitura disse que tudo foi medido e aprovado. Os documentos dizem outra coisa.
- O que aconteceu: O relatório aponta que a obra atingiu apenas 90% de conclusão.
- O impacto real: Existe um saldo de R$ 659 mil que não foi aplicado. Ao contrário do que diz a nota oficial, isso significa que o projeto não foi entregue integralmente como foi assinado no papel.
- O Prejuízo de R$ 1,3 Milhão
Somando os dois convênios (168 e 227), temos um total de R$ 1.296.578,07 (quase 1,3 milhão de reais) em recursos que não viraram benefícios para a população.
Não se trata de uma “pequena sobra”. É mais de um milhão de reais que, por falta de gestão, não foi transformado em obra e agora terá que ser devolvido aos cofres públicos. - A Falha Administrativa (Prazos Vencidos)
A justificativa de que “o tempo foi curto” não se sustenta tecnicamente.
- Os dois convênios venceram no início de 2025 (janeiro e fevereiro).
- Se o prazo estava apertado, a Prefeitura deveria ter pedido prorrogação antes do vencimento. Isso não foi feito.
- Agora, com os contratos encerrados, não há lei que permita apresentar “novos cronogramas”. O prazo acabou e a oportunidade foi perdida.
Conclusão
Os documentos provam que não houve apenas “falta de tempo”, mas sim falta de planejamento. O resultado são obras entregues sem itens essenciais de durabilidade (drenagem/meio-fio) e a obrigação de devolver uma quantia milionária que deveria ter sido investida na cidade.

